30 de Abril - Dia Internacional do Jazz

Dia Internacional do Jazz - 30 de Abril

Criado pela UNESCO e anunciada pelo embaixador da boa vontade da UNESCO, o pianista Herbie Hancock, em 2012, o Dia Internacional do Jazz é desde então celebrado a 30 de Abril.

Pretende-se com esta comemoração recordar a importância deste género musical, bem como o seu contributo na promoção de diferentes culturas e povos ao longo da história, uma vez que o Jazz está associado à luta pela liberdade e à abolição da escravatura nos Estados Unidos da América.

Para os menos familiarizados com esta forma de expressão musical, esta terá surgido em finais do século XIX, início do século XX, nas comunidades negras de escravos e dos seus descendentes, barbaramente levados à força, como animais, da costa ocidental africana para as «Américas», onde trabalhavam sem quaisquer direitos nem dignidade de tratamento, em grandes plantações (essencialmente nas de algodão, detidas por brancos).

Este «estilo» musical incorpora não só as «raízes» africanas, como também as francesas, que ainda persistem até aos nossos dias, na música «Cajun» (da população de origem francesa que residia no Canadá e que se refugiou na Luisiana e, mais concretamente, na cidade de Nova Orleans -apelidada The Big Easy-, nas margens do rio Mississipi).

Embora a origem da palavra «Jazz» seja incerta, o facto é que esta forma de expressão musical surgiu através da mistura de várias tradições religiosas, em particular da afro-americana. A este propósito recomenda-se a escuta de Ruben de Carvalho, no programa «Crónicas da Idade Mídia», transmitido pela Antena 1 e que pode ser acedido nesta ligação:

Os instrumentos musicais são os usados em bandas militares e de dança, prevalecendo os metais e as caixas (baterias). Contudo, nos vários «estilos» de Jazz podem ser utilizados os mais diversos instrumentos, incluindo as «cordas».

Não é tarefa fácil definir este género musical, não só por «conter» vários sub-géneros (swing, bebop, afro-cubano, dixieland, hard bop, free jazz, fusão, acid, entre outros), como também por assentar na «improvisação» dos seus executantes, por influência de outras expressões musicais mais antigas como os blues ou a música folk.

Cada intérprete de Jazz (seja ele saxofonista, trompetista, baixista, guitarrista, baterista, pianista ou vocalista), «pega» num determinado tema e faz dele um «momento musical único». Pode mesmo dizer-se que é impossível escutar-se o mesmo tema de forma igual, mesmo quando interpretado pela mesma pessoa. E, para que se possa comprovar esta afirmação, remetemos o leitor para a nossa lista do Spotify e para o exemplo da música «Night And Day», escrita em 1932 pelo norte-americano Cole Porter) e interpretada por Ella Fitzgerald e por Django Reinhardt. Tão diferentes... E tão musicalmente deliciosas...

Parafraseando Fernando Pessoa a propósito de uma bebida, o Jazz «Primeiro estranha-se, depois entranha-se»...