A antiga estação dos Caminhos de Ferro de Lagos foi inagurada em 30 de Julho de 1922

A antiga estação dos Caminhos de Ferro de Lagos (Janeiro de 2021)

Exterior da actual estação dos Caminhos de Ferro de Lagos (Janeiro de 2021)

Interior da actual estação dos Caminhos de Ferro de Lagos (Janeiro de 2021)

Gare da actual estação dos Caminhos de Ferro de Lagos (Janeiro de 2021)

Lagos e o transporte público

Está consagrado, está escrito. Está preto no branco, na Lei Fundamental do nosso país, na Constituição da República Portuguesa (Artigo 81.º) que incumbe prioritariamente ao Estado no âmbito económico e social a promoção da «coesão económica e social de todo o território nacional, orientando o desenvolvimento no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões e eliminando progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo e entre o litoral e o interior».

Está consagrado e escrito. No entanto, frequentemente, constata-se que o Estado não cumpre nem esta nem outras missões de que está incubido.

No que se refere à coesão económica e social de todo o território nacional, na qual os transportes e as acessibilidades desempenham um importante e fundamental papel, o Estado tem sido mais do que negligente, especialmente na região algarvia e no seu extremo barlaventino, Lagos em particular.

Até às primeiras duas décadas do século XX, as ligações entre esta sub-região Algarvia e Lisboa realizavam-se essencialmente pela cabotagem na orla marítima. As terrestres faziam-se por roteiros variados e primitivos.

Em 1912, Ribeiro Lopes, presidente da Câmara Municipal de Lagos, começou a cobrar um imposto sobre as exportações deste concelho, com o objectivo de angariar os fundos necessários a este projecto.

Vitor Costa e Silva, que se seguiu no cargo, obteve o apoio do Estado para este empreendimento; uma lei de 11 de Abril de 1917 refere-se à concessão de um apoio financeiro para os Caminhos de Ferro do Estado (antecessor da actual empresa dos Comboios de Portugal), para a continuação das obras em diversos troços ferroviários, incluindo o Ramal de Portimão.

Finalmente, em 30 de Julho de 1922, o comboio chegou a Lagos. Há quem diga, na brincadeira, que quando a primeira composição chegou a Lagos alguns locais apressaram-se a cobri-la com mantas e panos, por causa da fumarada que saía da máquina...

Certo é que o comboio veio facilitar em muito a ligação desta região meridional à capital portuguesa, com passagem e inúmeras paragens no Alentejo. Então, e até 29 de Julho de 1999, chegados ao Barreiro, os passageiros teriam de «apanhar» um barco que atravessava o Rio Tejo, uma vez que actual travessia pela Ponte 25 de Abril só foi inaugurada nesse ano.

A Linha Ferroviária do Algarve, que liga Lagos a Vila Real de Santo António, já foi servida por vários apeadeiros e estações, muitos entretanto desactivados. Entre estes, está o da Meia-Praia, que foi demolido e que agora não protege os passageiros dos elementos naturais.

É na gare desabrigada da estação de Tunes (também desactivada), que os passageiros provenientes de Lagos com destino a Lisboa desembarcam, para de seguida subirem com malas e bagagens a bordo do comboio que os levará a Lisboa e a outros destinos. É também aqui que ficam sem qualquer conforto, muitas vezes por incontáveis minutos, quando o comboio vindo de Vila Real de Santo António se atrasa na ligação que os levará finalmente até Lagos.

O actual apeadeiro / telheiro da CP da Meia-Praia (Janeiro de 2021)

Material circulante na Linha do Algarve (série 0451-0469)

O material circulante na Linha do Algarve consta de automotoras a gasóleo (série 0451-0469), que entraram ao serviço em 2011. Foram criadas a partir da remodelação das antigas unidades da Série 0400.

Estas máquinas têm revelado graves problemas de fiabilidade, que se vieram a traduzir em muitas horas de manutenção em oficina. Daqui, resultaram elevados custos operacionais, a supressão de várias ligações ou atrasos consideráveis nas ligações previstas e anunciadas.

Com poucas condições de conforto, envelhecidas, invariavelmente a necessitarem de limpeza, não há nelas nada que possa atrair alguém que seja para escolher a ferrovia como meio de transporte de eleição. Estas são, acima de tudo, a prova do desinvestimento e do desinteresse do Estado neste sector.

Existem 8 ligações diárias entre Lagos e Vila Real de Santo António. O preço do bilhete para ligar estas duas localidades custa 10,60 euros e tem a duração total de 3 horas e 9 minutos.

De Lagos até à estação de Sete Rios, em Lisboa, há 4 ligações diárias. O tempo de duração desta viagem varia entre cerca de 3 horas e 50 minutos a 4 horas e 20, com o preço do bilhete a custar de 22,55 euros a 32,30 euros.

Autocarro da empresa Cândido Belo, na paragem da Rua da Porta de Portugal (anos 50 do século XX)

Veículos já fora de circulação da EVA e da Translagos, no Rossio de S. João

Até 1933, o transporte de passageiros em autocarros pelo Algarve e até ao baixo Alentejo estava entregue a várias pequenas companhias de transporte.

Em 5 de Julho desse ano, procedeu-se à fusão dos vários operadores na Empresa de Viação do Algarve, Lda., que tem a sua sede na capital algarvia.

Na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974, em Junho de 1976, a Empresa de Viação do Algarve foi nacionalizada e integrada na Rodoviária Nacional. Este processo originou o Centro de Exploração de Passageiros nº 9 da Rodoviária Nacional EP.

De acordo com a informação institucional da actual empresa EVA, «Em Maio de 1992 foi privatizada a Rodoviária do Algarve dando origem à Eva, Transportes SA.

No final de 1997, a Eva já possuía uma frota de 258 autocarros e continuava a crescer. Pretendendo servir todos os seus passageiros de uma forma cada vez mais eficaz, múltiplos são os serviços que presta, sendo desde logo de destacar este onde se encontra: Serviço de Alta Qualidade, Eva / Mundial Turismo que liga diariamente o Algarve, Lisboa, Porto, e Évora».

Inexplicavelmente, o site da EVA encontra-se inoperacional em várias áreas, entre as quais o da consulta da cobertura geográfica da empresa.

No entanto, sabe-se que a partir do terminal rodoviário de Lagos é possível utilizarem-se os serviços desta empresa para se viajar até Odeceixe (concelho de Aljezur), Sagres (concelho de Vila do Bispo), Albufeira, Faro e Sevilha.

A ligação por autocarro entre Lagos e Portimão é assegurada pela empresa Frota Azul. Durante os dias úteis existem 10 ligações diárias até Portimão, número este que se reduz para 5 nos sábados, domingos e feriados.

Criada em 1995, com uma rede de concessões de 42 mil quilómetros, a Rede Nacional de Expressos permite a ligação diária entre Lagos e vários destinos nacionais.

Interior do terminal rodoviário de Lagos, Rossio de São João (Janeiro de 2021)

Interior do terminal rodoviário de Lagos (Janeiro de 2021)

Interior da zona de manutenção do terminal rodoviário de Lagos, Rossio de São João (Janeiro de 2021)

Exterior do terminal rodoviário (arquivo - cedida por José Manuel Freire)

O terminal rodoviário de Lagos localiza-se no Rossio de São João desta cidade e é operado pela sociedade EVA, Transportes SA. Embora se encontre em zona central da cidade e permita acesso fácil a passageiros, encontra-se numa situação globalmente insustentável e de evidente ruptura nas suas condições ambientais. Conforme se pode constatar pelas imagens publicadas nestas páginas, quer em termos de conforto para os utentes quer para os que aqui trabalham, há muito que esta infra-estrutura é um dos piores «cartões de visita» da cidade de Lagos. Mesmo antes da Covid-19, as instalações sanitárias deste local (actualmente encerradas) eram inqualificáveis ao nível da insalubridade e da mais do que visível falta de higienização diária.

Pelo rigor da descrição que se comprovou nesta reportagem efectuada em Janeiro de 2021, recorremos a documento apresentado na Assembleia Municipal de Lagos pelos eleitos da Coligação Democrática Unitária (CDU) para descrever este local: «O estacionamento dos autocarros em espera, é feito ao longo do espaço exterior, contíguo ao terminal rodoviário e junto ao gradeamento do parque infantil ajardinado do CASLAS, para onde é dirigida a descarga dos gases de escape dos motores, tanto nas manobras de chegadas e saídas, como no normal período de aquecimento dos motores; o espaço fronteiro ao edifício, que já era insuficiente para o estacionamento geral, está ocupado com o estacionamento dos autocarros da ONDA. A gare, construída com materiais inadequados e com o mínimo de exigência de qualidade para as funções, está envelhecida e degradada; os cais comportam apenas 3 autocarros e um único banco corrido para passageiros em espera, quase encostados aos autocarros em embarque e desembarque. Não existem locais apropriados para os horários e informações escritas; as bilheteiras, sem condições de trabalho, só conseguem funcionar pela boa vontade e esforço dos trabalhadores. Não existe espaço para filas de utentes e a sala de espera tem um espaço exíguo [...].

A Central Rodoviária apresenta um aspecto geral que não merece classificação e, mais grave ainda, representa um enorme atentado à saúde pública, nomeadamente no que respeita à cobertura do edifício, composta por telhas de fibrocimento com amianto. Nos actuais moldes a Central Rodoviária não responde às necessidades dos utentes e não é compatível com a funcionalidade que é exigida ao Centro Coordenador de Transportes Terrestres necessária para responder ao volume e qualidade do tráfego de passageiros da cidade e Concelho de Lagos [...].

Face a estas questões, e não podendo a Assembleia Municipal de Lagos ignorar que a gravidade da situação justifica que seja encarada com prioridade, os eleitos da CDU propõem que a Assembleia reunida a 25 de Junho de 2018, delibere recomendar à Câmara Municipal de Lagos:

1. Que proceda com urgência para uma Revisão Parcial do Plano de Urbanização de Lagos, de acordo com a legislação em vigor, tendo como objectivo a definição de uma nova localização e a elaboração de um programa de instalações para um Centro Coordenador de Transportes Terrestres adequado ao equilíbrio da estrutura urbana de Lagos, resolvendo os graves problemas existentes na actual Central Rodoviária e na sua envolvência.

2. Que em simultâneo com esta Revisão Parcial, adopte uma solução provisória para a localização dos autocarros em espera e elabore um programa para o novo Centro Coordenador de Transportes Terrestres de Lagos.

Delibere igualmente dar conhecimento desta deliberação aos órgãos das autarquias locais e à comunicação social».

Tendo esta proposta sido reprovada, constata-se que cerca de dois anos depois, não só as carências e as más condições do espaço não foram resolvidas, como se desconhece qualquer calendarização ou previsão de virem a ter lugar.

Interior de autocarro da EVA, do percurso Sagres/Lagos, perto de Espiche (Janeiro de 2021)

Visível falta de higienização de assentos de passageiros - EVA (Janeiro de 2021)

O acesso a este autocarro da EVA apresenta dificuldades a cidadãos com mobilidade reduzida (Janeiro de 2021)

Autocarro da carreira Lagos / Sagres / Lagos

Desde 22 de Março de 2007, o Município de Lagos dispõe de um serviço de transportes públicos, designada por «A Onda» – Translagos, Transportes Públicos, Lda.

Actualmente, esta empresa tem um contrato de prestação de serviços com o Município de Lagos que termina em 9 de Maio de 2022, para operar em 10 linhas urbanas que ligam as principais localidades das quatro freguesias do concelho.

A frota ao serviço dos passageiros do município é composta por 19 viaturas com motores de combustão interna a diesel e cuja idade média é de 2 anos (de acordo com os dados de 2019). Todas estas possibilitam o acesso a passageiros com mobilidade condicionada.

Autocarro Mercedes da «Onda» - Transportes Urbanos de Lagos, no Rossio de São João (Janeiro de 2021)

Paragem rodoviária na Avenida dos Descobrimentos - Lagos (Janeiro 2021)

Terminais rodoviário e ferroviário (este em 2º plano), na Meia-Praia, Lagos (Janeiro de 2021)

Paragem da «Onda» sem horários expostos - Lagos (Janeiro 2021)

Consultando o site da «Onda» e de «acordo com o Relatório de Desempenho de 2019 do Serviço de Transportes de Passageiros Municipal – A ONDA, durante o ano de 2019, foram transportados 634.137 passageiros, correspondendo a um aumento de 24.377 passageiros transportados comparativamente ao ano transacto, representando um aumento na ordem dos 4%», o que correspondeu a um consumo de energia (gasóleo) de 188.756 litros.

Em 2019, com 796.998,05 quilómetros realizados, as despesas com este serviço público de transporte ascenderam a 1.112.471,07 euros.

Por seu turno, as receitas foram de 485.941,45 euros e a compensação paga pela Câmara Municipal de Lagos foi no montante de 621.474,91 euros.

Enquanto utilizadores regulares de «A Onda» pouco temos a apontar no que se refere ao serviço.

Constatámos que, de forma geral, os horários são cumpridos com pontualidade (não obstante não existirem dados de 2019 relativamente a este índice).

De acordo com o Relatório de Desempenho de 2019 do Serviço de Transportes de Passageiros Municipal – A ONDA, durante o ano de 2019 também não existem dados relativos à satisfação dos passageiros e de potenciais passageiros.

Segundo esse documento, em 2019, «foram registadas 8 reclamações relativas ao serviço prestado, maioritariamente relativas à execução do serviço por parte do operador [...].

No mesmo período, registaram-se 12 acidentes de viação, sem gravidade [...] e não ocorreram incidentes de segurança».

Verificàmos que em várias paragens os horários das carreiras ou não existem ou se encontram ilegíveis.

Os abrigos cobertos não permitem que mais do que três passageiros se possam sentar e descansar em simultâneo no local, o que representa uma dificuldade não só para os mais idosos, como também para quem tem problemas de locomoção. No entanto, estamos em condições de adiantar que estes poderão vir a ser alterados brevemente.

Por último, registe-se que o abrigo coberto da Meia-Praia (próximo do Bairro SAAL 25 de Abril) se encontra danificado. Aqui, não só parte da protecção de acrílico já não existe, como também os horários se encontram ilegíveis. Acresce que pelo facto de a área que o circunda ser em terra batida, quando chove, à sua volta se forma um enorme lamaçal que dificulta o seu acesso aos passageiros.

Carlos Mesquita


Algarve e o transporte público

A região algarvia tem uma débil rede de transportes públicos. Essencialmente, o sistema de mobilidade passa pela viatura própria, visto que os horários de autocarros e comboios muitas vezes não são favoráveis nem coordenados com a a hora de entrada no trabalho, as conexões entre os diferentes meios são inexistentes e a sua eficiência reduzida. Existe fraca capacidade de transportar a população em tempo útil e a larga demora em viagem não justifica o seu uso.

São vários os exemplos de condições pouco benéficas para os passageiros. O Algarve em nada se compara com as restantes regiões do país, não só pelos diversos motivos mencionados como também pela falta de comodidade nos mesmos. O transporte ferroviário regional, em comparação com o disponibilizado em regiões do Norte e Centro do país, em muito peca. No Sul, as carruagens não só são antigas como se encontram degradadas, o que não acontece em outras áreas.

Várias cidades nas outras zonas do país possibilitam uma vida completamente dependente de transportes públicos, permitem que se chegue a qualquer ponto de interesse em tempo útil, a acessibilidade que é tida em atenção é notória.

Acrescentando ao facto de que os horários nem sempre estão disponibilizados, tanto virtual como fisicamente, os transportes da região algarvia têm outro inconveniente. Muitas das estações ferroviárias situam-se consideravelmente longe do centro das cidades - como é o exemplo de Silves ou Ferreiras -, o que leva a que seja necessário recorrer a outro transporte público para chegar ao centro, o que nem sempre existe.

Manuel Tão, especialista em transportes, numa entrevista dada ao jornal Sul Informação, defende que “melhorar a acessibilidade e, ao mesmo tempo, a competitividade económica do Algarve, passa pelo avanço célere dos investimentos já previstos na Linha do Algarve, nomeadamente a electrificação dos troços entre Lagos/Tunes e Faro/Vila Real de Santo António (VRSA) e uma ligação ao Aeroporto de Faro que sirva o Campus de Gambelas da Universidade do Algarve.”

Outra questão ainda, na rede de transportes públicos do sul do país, são as inexistentes conexões do Aeroporto de Faro, tanto para o centro da cidade como para as restantes da região, ou mesmo para o resto do país. O que não se verifica no Aeroporto de Lisboa ou no Aeroporto do Porto, que disponibilizam o acesso a autocarros e ao metro.

Embora sendo um país cuja economia assenta especialmente no turismo, persistem as mesmas carências nos transportes nos últimos anos, não se assinalando alterações ou investimentos assinaláveis. Manuel Tão alega que “Os transportes públicos não se destinam só a atender as necessidades da população local. É falso! Servem para atender os mercados turísticos e servem para levar gente para locais onde não habitam e que querem ficar a conhecer, sem ter de usar um carro”.

A fraca conectividade, tanto no transporte rodoviário como ferroviário no Algarve, é sentida pelos habitantes e turistas de todas as idades. Desde a população jovem e adulta - que tem necessidade de se servir de transportes públicos para se deslocar para a escola ou local de trabalho - à população idosa que não dispõe de outro meio.

Tiago C. tem 16 anos, vive no concelho de Vila do Bispo e estuda na Escola Secundária Júlio Dantas, em Lagos. No trajecto de cerca de 15 quilómetros que separa a sua casa da escola, e que demora cerca de dez minutos de carro, é feito por este aluno e colegas em cerca de 50 minutos, num veículo mais velho do que os estudantes que transporta.

Segundo Nuno A. “É frustrante ter que acordar tão cedo quando a escola não é assim tão longe, mas como os meus pais têm horários incompatíveis com os meus não há possibilidade de me levarem ou me irem buscar a Lagoa de carro”. Este jovem tem que apanhar um autocarro até ao centro de Portimão, esperar mais de vinte minutos por outro que faça conexão de Portimão a Lagoa, e depois então apanhar o próximo até à escola.

Outro exemplo é o caso de Elisabete T. que tem 73 anos e vive na Mexilhoeira Grande, relativamente longe do centro: “É complicado quando preciso de me deslocar a uma consulta ao Centro de Saúde por exemplo; não é que demore muito tempo a chegar, mas não tenho transporte a toda a hora. Os horários obrigam-me a sair de casa muito tempo antes e no regresso tenho sempre que esperar bastante até ter autocarro”, admite Elisabete.

Os transportes têm o objectivo de encurtar distâncias. Contudo, tal não se verifica nestes casos citados e em muitos outros, uma realidade que prejudica muitas pessoas diariamente.

As assimetrias nacionais são evidentes: Lisboa dispõe de uma rica rede de transportes quando comparada com o resto do país. Manuel Tão questiona “Quais são os critérios que justificam a construção a médio prazo de uma extensão do Metro de Lisboa de dois quilómetros entre o Largo do Rato e o Cais do Sodré, que custa 230 milhões de euros?” sendo que “se o Algarve quiser qualquer coisa como 60 ou 70 milhões para construir um ramal do caminho-de-ferro para as Gambelas e para o Aeroporto tem de esperar 20, 30 ou 40 anos. Se continuarmos assim não vamos a lado nenhum como país. Há-de haver uma super Lisboa e um mini país. Isto mina a competitividade do nosso território, não apenas do Algarve, mas de tudo o resto para além de Lisboa”, complementou.

A nível mundial existem exemplos de países em que a população usufrui dos transportes públicos diariamente. Países como Inglaterra, Áustria ou Holanda disponibilizam de uma rede de transportes públicos que permite à população deslocar-se inteiramente, tanto para o trabalho como viagens em lazer. Erradamente pode surgir a ideia de que quem tem nível médio e alto de vida dispõe de viatura pessoal e com ela se deve deslocar. As condições financeiras em nada representam a forma como os indivíduos se deslocam.

“Quando nós pensamos quais são, a nível mundial, os países com mais viagens per capita em transporte público, o primeiro lugar é ocupado pelo Japão, o segundo pela Suíça e o terceiro pela Alemanha. O nível de vida nestes países mete a um canto aquilo que nós temos aqui em Portugal e ganham muito mais do que nós, tem condições de vida que nós nem imaginamos e dois deles – o Japão e a Alemanha -, são sedes das maiores fábricas de automóveis do planeta. E isso não impede que sejam dos países onde as pessoas andam mais de comboio por ano, per capita”, declarou Manuel Tão.

Beatriz Maio