Cataplana de Peixe

Cataplana de Peixe

Como bons algarvios que somos e apreciadores de alimentos que vêm do mar, como temos demonstrado nas receitas de marisco que temos trazido, nada melhor que esta edição – em que navegámos, pescámos e passeamos na nossa costa, que a nenhuma se iguala – para trazer à secção de “Gastronomias” uma Cataplana de Peixe.

Poderia apelidá-la de típica, mas não correrei o risco de o fazer. Um verdadeiro curioso e amante de sabores apurados, é quem se aventura em cozinhar o que nunca cozinhou; quem tem uma receita à frente, mas acaba por seguir o próprio instinto. Desafios não faltam nesta Revista, o que seria desta edição se não tivesse mais uns quantos...

Não só cozinheiros como marinheiros, como diz a minha avó Paula “quem não é bom para comer não é bom para trabalhar”. A esta Cataplana juntamos um vinho branco para acompanhar o tempo de preparação porque “sem comer e beber não há prazer”. Assim, trazemos este prato por nós confeccionado e quem melhor do que a minha avó para emprestar o utensílio culinário essencial a esta receita algarvia.

Duas meias panelas côncavas unidas que remetem para a influência árabe do Norte de África que tão presente esteve na região algarvia. Quem já visitou Marrocos, como é o meu caso, associa o processo de cozedura ao da “Tajine” marroquina, embora esta seja feita em barro e a Cataplana em cobre, sendo que inicialmente era produzida em zinco. A escolha destes materiais possibilita um sabor único à confecção de alimentos, conservando os respectivos aromas.

Apesar de hoje em dia ser já um produto industrial, símbolo da gastronomia portuguesa, antigamente a sua manufactura era feita de forma artesanal, por artesãos caldeiros. Como nós portugueses não somos os únicos apreciadores de comida mediterrânea, também os espanhóis se servem deste utensílio de cozinha.

São vários os peixes que se podem utilizar para esta receita. Escolhemos o Tamboril, a Corvina e o Safio, por terem menos espinhas, e optámos por juntar camarão, que achámos que não poderia faltar.

De forma a conseguir um sabor apurado, para além da cebola, alho picado e folhas de louro a refogar no azeite, adicionou-se pimento verde e vermelho, tomate aos cubos e uma pitada de sal. Acrescentámos batatas cortadas às rodelas e coentros. De seguida, colocou- -se o camarão e o peixe, como se de camadas se tratasse e regou-se tudo com vinho branco e um pouco de azeite.

Como “barriga vazia não conhece alegria”, após cozinhar lentamente cerca de 35 minutos em lume brando, serviram- -se pratos cheios decorados com salsa e gomos de limão.

Beatriz Maio