José Francisco Rosa

A Nova Costa de Oiro tem o grato prazer e a honra de publicar em exclusivo algumas memórias de um lacobrigense de 97 anos, compiladas em trabalho de circulação restrita.

Este é um revisitar de Lagos em décadas passadas, de traquinices e tropelias. Mas, e acima de tudo, é um importante registo hisórico, que pode e deve servir para memória futura.

O seu autor é José Francisco Rosa, nascido em Lagos, a 21 de Fevereiro de 1924 e que completou os seus estudos em Lisboa, tendo ingressado no ensino aos 20 anos, como Mestre do Ensino Técnico Profissional.

Rua do Cemitério

As rodas, na Rua do Cemitério

As rodas - Rua do Cemitério

Na Rua do Cemitério havia a seguir à casa da Ti Aurélia um larguinho que separava a residência do Sr. Bandarra da sua venda.

Esse largo, junção das Ruas da Barreira e do Cemitério, era o local escolhido para as rodas que os miúdos, miúdas e até alguns já um pouco crescidinhos, davam as mãos, formando uma roda e rodando e cantando se divertiam.

Assim, cá vão algumas cantigas:

Ti Manel ceguinho

Foi ao camarão

Com uma bota rota

E outra sem tacão

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Olha a laranjinha

Que caiu, caiu

No meio do monte

E nunca mais se viu

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Pim Pam Pum

Cada bala mata um,

P’ra galinha e p’ró peru

Livras-te tu

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No mesmo local realizavam-se outras rodas mais específicas, que tinham um fim em vista: jogo do lenço; cabra-cega e o pisca-pisca.

José Francisco Rosa

«A cabra-cega», na Rua do Cemitério

«A cabra-cega», na Rua do Cemitério

No mesmo local [Rua do Cemitério] e depois do jantar, juntam-se miúdos e miúdas para as suas brincadeiras e, para variar, com outra modalidade: o jogo da cabra-cega.

Forma-se a roda, de mãos dadas, ficando no centro dois componentes, um dos quais com os olhos vendados, com um lencinho.

O outro componente segura-o pergunta: «Cabra-Cega, donde vens?...».

Resposta: «Venho do moinho».

Nova pergunta: «O que trazes no cestinho?».

Resposta: «Pão e vinho».

Nova pergunta: «Dás-me um bocadinho?...».

Resposta: «Não».

Torna a perguntar: «Dás-me um bocadão?...».

Resposta: «Não».

Volta a perguntar: «Quantos anos tens?...».

Aí, a Cabra-Cega responde, por exemplo: «Sete anos». Neste caso, o que está fazendo as perguntas, roda-a tantas vezes quanto o número de anos que lhe foi dito e empurra-a na direcção dos outros componentes da roda.

Esta, às apalpadelas, procura segurar algum e, se o conseguir, tem ainda de adivinhar o seu nome.

Se não o conseguir, repete-se o jogo.

José Francisco Rosa

Grupo musical da Marcha Infantil de 1941

Grupo musical de 1941

A imagem que reproduzimos acima foi captada na noite de 08 de Setembro de 1941, no Clube Esperança de Lagos.

Estes foram os oito músicos que integraram o grupo da Marcha Infantil de 1941: Rodrigues (saxofone), João Ninas (contrabaixo), Inácio (acordeão), Viriato (cornetim), José Carlos (trombone), Mesquita (clarinete), Patacho (caixa) e José Rosa (clarinete).

José Rosa traja camisa clara, está apoiado no joelho e tem na mão direita o seu clarinete.

Este instrumento musical de sopro é constituído por um tubo cilíndrico, com uma boquilha cónica de palheta simples e chaves.

Carlos Mesquita