Baía de Lagos, ao longe

A poucas horas de um novo período de confinamento, em dia frio de princípios de Janeiro, percorremos algumas ruas de Lagos com o fim de captarmos algumas imagens das ruas da cidade.

Parámos ao cimo da Rua Infante de Sagres e olhámos demoradamente para a Baía de Lagos, para uma nesga de mar entre o casario, tendo registado esta fotografia. Saltou-nos à vista o estado de abandono e de degradação de alguns prédios urbanos.

Contudo, não deixámos de pensar que Lagos é uma cidade linda, que o poderia ser ainda mais, proporcionando-nos outras belas imagens.

Grafitar assim? Sim!

Esta fotografia foi captada no Largo dos Quartéis, ao início da Rua do Jogo da Bola, em Lagos.

Mostra uma habitação térrea, que pensamos estar desabitada, actualmente. Foi alvo da intervenção na sua fachada que a imagem mostra.

De acordo com a Lei n.º 61/2013, de 23 de Agosto, «Compete às câmaras municipais licenciar a inscrição de grafitos, a picotagem ou a afixação, em locais previamente identificados pelo requerente, mediante a apresentação de um projeto e da autorização expressa e documentada do proprietário da superfície ou do seu representante legal, quando este exista». Assim, sim!

Grafitar assim? Não!

«A Lei n.º 61/2013, de 23 de Agosto, estabelece o regime aplicável aos grafitos, afixações, picotagem e outras formas de alteração, ainda que temporária, das características originais de superfícies exteriores de edifícios, pavimentos, passeios, muros e outras infra-estruturas.

Fora dos casos permitidos, e quando não for aplicável sanção mais grave por força de outra disposição legal, a realização de afixação, grafito e ou picotagem constitui contra-ordenação muito grave ou grave».

Em Lagos, há locais onde se faz «tábua-rasa» da Lei, com danos à propriedade alheia. Assim, não!

Abandono e laxismo

O Núcleo Museológico Ferroviário de Lagos localiza-se na antiga estação de caminhos de ferro da cidade. Encontra-se num dos términos da Linha do Algarve (o outro é Vila Real de Santo António) e está instalado na cocheira de locomotivas, datada da década de 20 do século XX, sendo um exemplar único em todo o país.

Invariavelmente encerrado, entregue ao abandono e ao desleixo que se pode ver na imagem, este é um dos muitos e claros exemplos do desinvestimento e do desinteresse do Estado em muitas áreas do seu vasto património cultural edificado. E porquê? Porquê este laxismo?

Quentes e boas...

«Quem quer quentes e boas, quentinhas? A estalarem cinzentas, na brasa. Quem quer quentes e boas, quentinhas? Quem compra leva mais calor p'ra casa».

José Carlos Ary dos Santos escreveu o poema «O Homem das Castanhas», Paulo de Carvalho musicou-o e Carlos do Carmo cantou-o no disco «Um Homem na Cidade», de 1977.

Em início de Janeiro ainda era possível comprar castanhas quentes e boas, a estalarem cinzentas na brasa, na Praça Gil Eanes, em Lagos.

Por agora, resta esperar que no próximo Inverno estejam de volta a este local...

Resistente comércio local

Esta é uma imagem da 1º de Maio, em Lagos, captada antes do actual confinamento. Vê-se aqui a montra de uma das pequenas mercearias ainda existentes no Centro Histórico de Lagos.

Outrora importantes (mais que não fosse devido ao «rol», ou o «fiado» que proporcionavam a muitos clientes com dificuldades económicas) existiam em muitas ruas da nossa cidade.

Com a desertificação humana do Centro Histórico e devido a dinâmicas económicas e financeiras de grandes grupos económicos, os consumidores têm preferido adquirir em grandes superfícies. Esta ainda resiste. Mas... Até quando?