Rua da Senhora da Graça - Lagos

Na Rua da Senhora da Graça - Lagos

Rua da Senhora da Graça - Lagos

Rua da Senhora da Graça - Lagos

Rua da Senhora da Graça

Vamos percorrer a Rua da Senhora da Graça, em Lagos, que tem o seu início na Praça do Infante (no passado chamada Praça da Música, por aí ter havido um coreto, e também Praça da República) e término na Travessa da Srª da Graça.

Na esquina da Praça com esta artéria, do lado esquerdo, encontra-se actualmente o Núcleo Museológico da Rota da Escravatura, erradamente apelidado de «Mercado dos Escravos». Segundo o relato do cronista Gomes Eanes de Zurara, em «Crónica do Descobrimento e Conquista da Guiné» (1453), estes eram vendidos em terreno descampado.

De acordo com a Direcção-Geral do Património Cultural, «O antigo edifício da Portagem, data do século XVII e demonstra algumas características pertinentes que se prendem essencialmente com as funções de carácter público e administrativo que exerceu, apesar de apresentar tipologicamente uma arquitectura civil privada.

A construção desempenhou várias funções tal como Portagem, Quartel dos Remadores da Alfândega, Casa da Dízima e Vedoria. Algumas fontes referem o ano de 1820, como data limite em que terá deixado de funcionar naquele espaço a Alfândega, altura em que foi transferida para o segundo piso» do edifício.

Há 70, 80 anos esta era localmente conhecida como «A Alfândega» ou «A Principal», por se encontrar ali a Guarda Municipal. O gradeamento que ali se encontra foi mandado colocar em finais dos anos 60, por Joaquim Paleta, então Vice-presidente da Câmaral.

Do lado direito, encontramos as «Casas da Câmara, Hospital e Messe Militar». Segundo o arquitecto Rui Mendes Paula, no seu livro «Lagos evolução urbana e património», «compõe-se de vários corpos, dispostos em torno de um pátio central. Foi edificado nos anos 1784-1803, para albergar o Hospital Militar. Edificação que se “sobrepõe” às ruínas do antigo Convento e Hospital de S. João de Deus, fundado em 1696».

Em 1490, milaneses e sicilianos edificaram neste local a ermida de S. Pedro.

Subindo um pouco mais esta calçada empedrada e decorada, recordamos que no lado esquerdo viveu ali o despachante de alfândega António Ventura, natural de Olhão. Apaixonado pela fotografia e pelo cinema amador, foi um dos criadores do Movimento Ecológico de Lagos - MEL.

No lado oposto existiu a Igreja de Nossa Senhora da Graça, que poderá ter sido fundada em 1325, por milaneses. Segundo Rui Paula (obra citada atrás), foi «Paroquial» antes de «1415 e reconstruída em 1574.

A talha dourada que ali existiu foi colocada na Igreja de Sagres». Abandonado o Culto religioso, este espaço veio a ser uma adega. Foi aqui que o arquitecto Mário Helder Silva, criou a «Casa das Artes», um espaço comercial onde se vendiam quadros, livros e outras peças de arte.

Mais tarde, este foi um estabelecimento de diversão nocturna. Prosseguindo mais uns poucos metros, contígua à antiga Igreja, rumo à Travessa da Senhora da Graça e antes do imóvel da família Segurado, estava o estabelecimento da família Cabral, onde se vendiam aguardentes, vinhos, carvões e produtos agrícolas.

Do lado esquerdo, estava a casa da família Vilarinho, à qual se seguia a do professor Lázaro Veloso Corte-Real, que exerceu funções de direcção escolar. Lázaro Corte-Real foi, também, um conhecido pintor (especialmente de retratos e de paisagens) nos meios artísticos lisboetas, mas nunca na cidade de Lagos, onde nasceu.

* com José Manuel Freire e José Veloso