A Rua Gil Vicente, vista da Rua Cândido dos Reis

Fachada lateral da antiga Escola Gil Eanes, de Lagos

A Rua Gil Vicente, em Lagos

Localizada na freguesia de São Gonçalo de Lagos (anteriormente, freguesia de Santa Maria), a Rua Gil Vicente (que anteriormente teve o nome de Rua da Amargura), tem o seu início na Rua Cândido dos Reis e término na Rua Cardeal Neto. A Travessa do Mineiro, a Rua dos Combatentes da Grande Guerra e a Travessa Gil Vicente são as três transversais desta artéria lacobrigense.

Deve o seu nome ao vulto que foi considerado o primeiro grande dramaturgo português, nascido provavelmente em 1465 e falecido circa 1536.

Tido como pioneiro do teatro português e também do ibérico, a obra de Gil Vicente reflecte a mudança dos tempos e da passagem da Idade Média para o Renascimento. Contudo, a arte teatral é anterior à vida e obra deste importante autor, pese embora pouco exista dos textos dramáticos pré-vicentinos.

O nome de Gil Vicente apareceu pela primeira vez, em 1502, quando encenou a peça «Auto da Visitação» ou «Monólogo do Vaqueiro», em homenagem ao nascimento do príncipe D. João (futuro D. João III), filho de D. Manuel I e de D. Maria de Castela. No monólogo, escrito em castelhano, um homem simples do campo expressa a sua alegria pelo nascimento do herdeiro, desejando-lhe felicidades. Esta interpretação entusiasmou a Corte, tendo iniciado aqui uma carreira que se prolongou por mais de 30 anos.

Começamos o nosso percurso por esta artéria recordando que à esquina, do lado esquerdo, esteve instalada uma dependência da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo, onde hoje se encontra um gabinete de advocacia. Rua acima e poucos metros adiante, no lado direito, esteve instalada a Residencial Gil Vicente, hoje desactivada.

A Rua Gil Vicente e a sua transversal Rua dos Combatentes da Grande Guerra

O Teatro Gil Vicente foi inuagurado em 1862 e encerrou em 1938

A seguir a este estabelecimento, encontrava-se o armazém de distribuição da empresa Teófilo Fontainhas Neto, na esquina com a Rua dos Combatentes da Grande Guerra. Foi neste mesmo local que, anos mais tarde, se instalou um estabelecimento de venda de móveis de design de autor, actualmente também encerrado (fotografia grande da página 29).

Estamos a chegar ao portão da fachada lateral da antiga Escola Secundária de Gil Eanes (anteriormente Vitorino Damásio e Industrial e Comercial de Lagos). Era por aqui que nas décadas de 60, 70 e 80 que os alunos acediam a este estabelecimento de ensino, uma vez que durante muitos anos a sua porta principal se destinava ao pessoal docente e discente.

Estrategicamente localizada em frente a este concorrido acesso, existiu uma pequena mercearia, pertença do senhor Manuel, onde no intervalo das aulas da manhã, a rapaziada ia comprar sandes, sumos, leite empacotado e frutos secos, que eram vendidos em «cartuchos» de papel (saborosas alcagoitas, pevides, favas e grãos torrados).

Lê-se no site da Fototeca Municipal de Lagos que «O Teatro Gil Vicente, que abriu as portas ao público em 1862, era semelhante ao famoso Teatro Ginásio de Lisboa, embora de dimensões mais modestas do que aquela casa de espectáculos da capital, que ardeu em 1921. O teatro situava-se na rua Gil Vicente, em espaço hoje ocupado pela antiga Escola Industrial de Lagos/Escola Secundária Gil Eanes», tendo encerrado as suas portas ao público em 1938.

O nosso passeio pela Rua Gil Vicente termina na Rua Cardeal Neto (que visitámos na nossa edição n.º 38, de Dezembro de 2019).