Primitivo acesso à Estação de Caminho de Ferro. É visível a «armação» de madeira que servirá de cofragem à futura ponte, cuja construção está representada na Estampa 51. (anos «20»)

Obras de construção da primitiva ponte do caminho de acesso a Estação (anos «20»)

Pormenor do caminho de acesso à Estação de C.F. (anos 20)

Passar a ponte para o comboio

Pela primeira vez desde que a rubrica «Ruas da Nossa Terra» foi dada à estampa pelo nosso saudoso amigo e colaborador Silvestre Marchão Ferro, não nos iremos debruçar sobre uma das artérias de Lagos, nem sobre a origem do respectivo topónimo. Desta vez, iremos destacar uma das três pontes que actualmente permitem a passagem pela Ribeira de Bensafrim, do lado da cidade, rumo ao Sotavento Algarvio e ao Norte do nosso País.

Destas três, recordamos que a mais antiga é a «Ponte D. Maria II», construída em data desconhecida. Esta aparenta ter vestígios de possível construção romana, podendo a estrutura original datar dos séculos III ou IV.

A segunda no tempo foi edificada nos anos 20 do século XX e veio permitir a passagem de peões e de veículos da cidade até à estação ferroviária, que foi inaugurada em Julho de 1922.

A mais recente (próxima da actual esquadra da Polícia de Segurança Pública) foi construída sendo presidente da Câmara Municipal de Lagos José Valentim Rosado.

A antiga estação ferroviária e a respectiva ponte de acesso

Actual ponte levadiça e sem acesso rodoviário à estação de comboios

Recorremos às imagens do livro «Lagos, evolução urbana e património», da autoria do arquitecto Rui Mendes Paula, para a recordar. Na que encima estas páginas, podemos observar o acesso original à Estação de Comboios. O autor aponta-nos o pormenor da «armação» de madeira que servirá de cofragem à futura ponte», cuja construção está representada na segunda imagem.

Posteriormente, esta veio a ser demolida, para dar origem a uma segunda ponte, mais próxima da Avenida dos Descobrimentos, imagem que, infelizmente, não dispomos em arquivo.

Com a construção da Marina de Lagos em meados/finais dos anos 90 do século XX, a ponte que permitia o acesso de peões e de viaturas, incluindo táxis e autocarros dos transportes locais e regionais, foi removida. Esta deu então origem à actual ponte levadiça, de mero acesso pedonal e a bicicletas a pedal, ou motorizadas, quando não são conduzidas, mas apenas «levadas à mão».

Recordamos, ainda, as várias polémicas e as variadas discussões nos órgãos do Poder Local quanto a esta decisão política que, na prática, veio a «afastar» ainda mais os cidadãos do que poderia ser um meio de transporte atractivo e sustentável para uma cidade que se pretende ou pretendia ver centrada no turismo.

Ficam as memórias de um espaço e de uma realidade não muito longínqua no tempo, mas que poderão ser desconhecidas de muitos.