Rua do Castelo dos Governadores

Rua do Castelo dos Governadores

Rua do Castelo dos Governadores

A Rua do Castelo dos Governadores, em Lagos, tem o seu início em frente da Porta de Armas do antigo Quartel e término na Praça do Infante D. Henrique (que também já se chamou Praça da Constituição e da Música, por ter aí existido um coreto que foi de viagem para parte incerta). São suas transversais a Rua do Jardim, a Dr. Júlio Dantas e a Miguel Bombarda (antiga Rua de Santa Bárbara).

Em artigo publicado na edição de Março de 1997 na revista Nova Costa de Oiro, o nosso saudoso colaborador Silvestre Ferro escreveu o seguinte: «Quando se fala da “Porta de Armas” temos que nos lembrar da antiguidade desse local, o Arco da Ribeira e o Trem do Quartel. Toda aquela zona voltada para o mar, lado Nascente, já em parte existia quando Dom Afonso III conquistou definitivamente o Algarve, e talvez tenha sido o último reduto a ser conquistado. [...]

A monumentalidade de Lagos está, em parte escondida, deturpada, mal tratada e pouco estudada. [...]

O Castelo dos Governadores, segundo se diz, terá sido um Alcaçar (no tempo dos Mouros) cuja aparência, uns arcos já destruídos , disso davam semelhança. Aquando das obras para ampliação do Hospital da Misericórdia, notou-se que teria havido uma remodelação desse Castelo no Reinado de Dom Manuel I, pelas pedras ao estilo Manuelino aí encontradas. [...]

Com a destruição do Palácio [em consequência do sismo de 01 de Novembro de 1755], bem como por causa dos grandes prejuízos na zona defensiva, o Governo Militar do Algarve foi transferido para Tavira».

Rua do Castelo dos Governadores

Rua do Castelo dos Governadores

Na edição de Abril de 1997, ainda a propósito da Rua Castelo dos Governadores, Silvestre Ferro escreveu que «Lagos atravessou períodos de grande miséria, provenientes de crises de falta de pescas, maus anos agrícolas e a consequente falta de trabalho, agregando-se a tudo isto a desorganização social com que o País sempre se debateu. Além disso, era ver a pobreza próxima da “Porta de Armas” e da cozinha do quartel esperando para mitigar a fome, que lhes despejassem em vasilhas, algumas improvisadas, as sobras do rancho dos militares. Esta cena repetiu-se durante anos, sendo chocante para quem presenciava, até que essa distribuição gratuita, para não dar nas vistas, passou a ser feita nas traseiras do quartel».

A história das ruas do nosso País não se faz apenas de datas históricas nem das personalidades que, pela sua importância na vida nacional e local, acabaram por ter o seu nome numa placa toponímica. Faz-se, também, dos muitos anónimos, cidadãos sem rosto e de quem a história não guardou o nome, a arraia miúda a que se referiu Fernão Lopes. A mesma, precisamente a mesma, que luta há anos pela dignificação do Hospital de Lagos, localizado nesta artéria da cidade. Este é o mesmo povo anónimo que vivia paredes-meias com o Castelo dos Governadores, no Bairro da Ribeira, e daí expulso para a construção da Avenida dos Descobrimentos, em 1960.