«Parto-te a cara!» Sem Segurança Pública

Sou jornalista desde meados dos anos 90, do século XX. Ao longo da minha carreira profissional, não sei quantas pessoas entrevistei, quantas histórias e depoimentos recolhi. Nem quantos milhões de caracteres escrevi até hoje. Mas sei, que nunca no exercício desta actividade tinha sido ameaçado na minha integridade física, até há poucos dias, em Lagos, com um gutural: «Parto-te a cara!». Mas, sim. Foi real e aconteceu perto da Praça do Infante, em Lagos, quando fotografava a chamada «Casa da Dízima».

É que, pelos vistos, a Praça do Infante e outros locais da cidade lacobrigense são «propriedade» de um grupo de pessoas que se fazem acompanhar ilegalmente por cães (mais que não seja por por não terem trela) e que ameaçam quem usa ali máquina fotográfica (como eu), ou passa, simplesmente.

O que me aconteceu, felizmente sem resultados que poderiam ter sido graves, bem como os vários relatos semelhantes publicados nas redes sociais, é mais uma das provas provadas da incapacidade de quem é, ou seria suposto, comandar as forças de segurança da nossa cidade.

O que acontece na Praça do Infante, em Lagos (e noutros locais da cidade) é, nada mais nada menos, do que a mera constatação da demissão efectiva de funções por quem as deveria cumprir e fazer cumprir. Não sabe? Não quer? Não pode? Demita-se, pois! Obrigado.

Nesta e nas próximas edições iremos visitar parte do Património Cultural Classificado (e não só), de Lagos. As imagens (que dizem valer mais de mil palavras) são ilustrativas do estado de desleixo ou de abandono em que muitos se encontram. E iremos deixar uma, só uma pergunta que fica por responder: porquê?

Carlos Mesquita


Na «Nova Costa de Oiro» não se utiliza a Reforma Ortográfica de 1990-2008, indevidamente chamada «Acordo Ortográfico».