Uma das regiões dos deixados à sua sorte

Por vezes, muitas vezes, demasiadas vezes, gostava que Portugal, o meu país, a minha pátria, não fosse como é.

Muitas vezes, vezes de mais, não quis e não quero dar razão a Eça de Queirós no seu livro «Os Mais»: «De resto todo o mundo concorda que o país é uma choldra. E resulta portanto este facto supra-cómico: um país governado com imenso talento, que é de todos na Europa, segundo o consenso unânime, o mais estupidamente governado!».

O Algarve era ou foi até recentemente uma das regiões que nos últimos anos mais tem contribuído para o Produto Interno Bruto de Portugal. Paradoxalmente, esta é das sistematicamente mais «esquecidas» pelo Poder Central.

Na Constituição da República Portuguesa (Artigo 81.º) declara-se que «incumbe prioritariamente ao Estado no âmbito económico e social a promoção da coesão económica e social de todo o território nacional, orientando o desenvolvimento no sentido de um crescimento equilibrado de todos os sectores e regiões e eliminando progressivamente as diferenças económicas e sociais entre a cidade e o campo e entre o litoral e o interior».

Ora, nada disto acontece no Algarve, uma das regiões de Portugal das há muito deixados à sua sorte, seja no Serviço Nacional de Saúde, na rede ferroviária ou rodoviária, ou noutras áreas. E, «cereja no topo do bolo», a que viu a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Algarve (como outras do País) ser eleita por voto colegial, «à moda» de um qualquer Estado não democrático.

Para terminar com alegria, gostaria de saudar e dar as boas-vindas à colega Beatriz Maio à Nova Costa de Oiro. Aqui estará quase até ao final deste ano para nos ajudar a fazer mais e melhor!

Fevereiro 2021

Carlos Mesquita


Na «Nova Costa de Oiro» não se utiliza a Reforma Ortográfica de 1990-2008, indevidamente chamada «Acordo Ortográfico».